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Tribunal de Contas libera crédito consignado do INSS parcialmente

Rodrigo Vasconcelos09 de maio de 2026 · 11:22
Tribunal de Contas libera crédito consignado do INSS parcialmente

Tribunal de Contas libera crédito consignado do INSS parcialmente

O Tribunal de Contas da União autorizou nesta sexta-feira (8) a retomada parcial das operações de empréstimos consignados vinculados ao INSS. A decisão do ministro Marcos Bemquerer Costa atendeu recurso da Advocacia-Geral da União e tem efeito até o julgamento final pelo plenário da Corte.

As modalidades de cartão consignado permanecem bloqueadas pela decisão judicial. O tribunal havia suspenso todas as operações de empréstimos consignados na semana anterior devido a irregularidades sistêmicas identificadas em auditorias.

AGU apresentou argumentos econômicos para reversão

O Executivo federal alegou que a paralisação completa geraria consequências econômicas graves para o mercado de crédito. A Advocacia-Geral sustentou que aposentados ficariam sem acesso a linhas de financiamento e migrariam para modalidades mais caras.

Segundo a AGU, a medida aumentaria o superendividamento entre beneficiários do INSS. O governo destacou ainda que a interrupção reduziria a circulação de recursos na economia nacional.

O ministro Bemquerer justificou a liberação parcial citando melhorias nos sistemas de segurança. "Novas informações sobre o estágio avançado da implementação das demandas estruturantes justificam a suspensão da medida cautelar", registrou na decisão.

Cartão consignado mantém suspensão por irregularidades graves

A manutenção do bloqueio para produtos de cartão consignado se baseia no maior volume de problemas detectados. O TCU considera essas modalidades mais arriscadas devido às falhas encontradas nas investigações.

Dados da Controladoria-Geral da União revelaram cenário alarmante nos cartões consignados. Levantamento mostrou que 36% dos entrevistados desconheciam a contratação do produto. Outros 25% negaram ter solicitado o serviço, enquanto 36% não receberam valores prometidos.

A CGU identificou que 78% dos usuários não recebiam faturas dos cartões consignados. Como explicar que produtos financeiros sejam ativados sem conhecimento dos titulares? As falhas evidenciam problemas graves no processo de contratação.

Fraudes motivaram bloqueio inicial do sistema

O TCU determinou em 29 de abril a suspensão completa após detectar falhas no sistema eConsignado. As auditorias revelaram contratos firmados sem autorização de beneficiários e empréstimos consignados em nome de pessoas já falecidas.

Fraudes de identidade e problemas na validação biométrica também foram documentados. A Corte registrou casos de desvio de recursos, falta de documentação adequada e cobrança de juros abusivos.

As irregularidades expunham aposentados a golpes financeiros e endividamento irregular, segundo o tribunal. Possível vazamento de informações sigilosas de beneficiários completava o quadro de violações identificadas.

Setor bilionário busca adequação às exigências

O mercado de empréstimos consignados movimenta cerca de R$ 100 bilhões por ano no Brasil. Estimativas do setor bancário indicam que aproximadamente 17 milhões de aposentados poderiam ser afetados pela paralisação total das operações.

Mais da metade deste público possui restrições creditícias e depende do consignado para acessar recursos. A dependência dessa modalidade torna a população vulnerável a interrupções no atendimento bancário.

Entidades do setor financeiro celebraram a liberação parcial em manifestação conjunta. A Associação Brasileira de Bancos, Febraban e Zetta ressaltaram a relevância da decisão para consumidores de baixa renda.

Governo planeja extinção gradual até 2029

O governo federal anunciou mudanças estruturais através da medida provisória do Desenrola Brasil. O cartão consignado será eliminado progressivamente, com redução a partir de 2027 e extinção completa em 2029.

O limite de comprometimento da renda será reduzido gradualmente até a eliminação da modalidade. Para empréstimos pessoais consignados, o prazo máximo aumentará de oito para nove anos.

O comprometimento total da renda cairá de 45% para 40%, com posterior redução gradual até 30%. As alterações visam maior proteção aos beneficiários, mas enfrentam resistência das instituições financeiras.

A decisão do TCU estabelece precedente relevante para equilibrar proteção ao consumidor e acesso ao crédito. A eficácia das medidas de segurança implementadas será avaliada nos próximos meses, quando novos indicadores sobre irregularidades estarão disponíveis para análise da Corte.

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