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Petrobras retoma produção de ureia em Araucária após seis anos parada

Rodrigo Vasconcelos05 de maio de 2026 · 13:42
Petrobras retoma produção de ureia em Araucária após seis anos parada

Petrobras retoma produção de ureia em Araucária após seis anos parada

A Petrobras voltou a produzir ureia na quinta-feira (30) na unidade da Araucária Nitrogenados S.A. (Ansa), em Araucária, na Grande Curitiba. A planta industrial ficou hibernada por seis anos devido a resultados financeiros negativos.

O retorno das operações faz parte de uma estratégia da Petrobras para reduzir a dependência brasileira de fertilizantes importados. O país importa aproximadamente 80% dos fertilizantes que consome. Esse cenário se complicou durante o conflito na Ucrânia, quando ocorreu escassez de produtos e alta dos preços globais.

R$ 870 milhões destinados à reativação

A companhia aplicou R$ 870 milhões para retomar as atividades de produção de fertilizantes na unidade paranaense. O projeto de reativação incluiu manutenções amplas, inspeções técnicas, testes operacionais e recrutamento de pessoal especializado.

Segundo Marcelo dos Santos Faria, diretor industrial e presidente interino da subsidiária, a Ansa reinicia a fabricação de ureia em momento crucial para ampliar a capacidade nacional desse insumo.

A fábrica reativada tem capacidade para fabricar 720 mil toneladas de ureia por ano. Esse volume equivale a cerca de 8% do mercado brasileiro. A planta também produz amônia (475 mil toneladas anuais) e Agente Redutor Líquido Automotivo (450 mil m³ anuais), utilizado no controle de emissões de veículos a diesel.

Plano nacional de fertilizantes

A retomada em Araucária se insere em uma estratégia mais ampla da Petrobras no setor de fertilizantes. Em maio de 2025, a empresa retomou o controle de duas fábricas de fertilizantes (Fafen) localizadas em Camaçari (BA) e Laranjeiras (SE).

Essas unidades estavam paralisadas desde 2023 após problemas financeiros da Proquigel, empresa que as arrendara em 2019. A unidade baiana reiniciou em janeiro de 2026, enquanto a sergipana voltou a funcionar em dezembro de 2025.

Com as três plantas operando, a participação da Petrobras no mercado interno de ureia deve alcançar aproximadamente 20%. O cronograma também prevê a finalização da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-III), em Três Lagoas (MS), com início comercial em 2029.

Quando todas as unidades estiverem ativas, a fatia da estatal no mercado nacional de ureia chegará a 35%. Mas qual será o impacto real dessa expansão na balança comercial do setor?

Geração de empregos e questionamentos

A mobilização para reativar a produção criou mais de 2 mil postos de trabalho temporários. Para as operações regulares, a fábrica manterá aproximadamente 700 funcionários.

A Federação Única dos Petroleiros comemorou o retorno das atividades. A coordenadora-geral Cibele Vieira classificou o reinício como demonstração de que "a luta vale a pena".

Contudo, especialistas questionam a viabilidade econômica de longo prazo. A competitividade dos preços nacionais frente aos fertilizantes importados permanece incerta. O setor também enfrenta obstáculos logísticos e de distribuição para atender o agronegócio brasileiro, principalmente nas regiões produtoras mais afastadas.

A estratégia da Petrobras para diminuir a dependência externa de fertilizantes será avaliada nos próximos anos. Os volumes produzidos internamente precisarão comprovar sustentabilidade operacional e impacto concreto na redução das importações brasileiras.

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