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Fraudes com inteligência artificial explodem 308% e vitimizam 8 em cada 10 idosos de SP

Rodrigo Vasconcelos02 de abril de 2026 · 18:48
Fraudes com inteligência artificial explodem 308% e vitimizam 8 em cada 10 idosos de SP

Fraudes com inteligência artificial explodem 308% e vitimizam 8 em cada 10 idosos de SP

Novos dados da Fundação Seade expõem uma realidade alarmante no estado de São Paulo. Oito em cada dez idosos paulistas enfrentaram tentativas de fraudes digitais durante 2025. A Agência Lupa registrou simultaneamente um salto de 308% na criação de conteúdo fraudulento utilizando inteligência artificial no mesmo período.

A transformação no perfil dos crimes digitais reflete uma mudança estrutural nas estratégias criminosas. Entre os idosos que sofreram tentativas de golpes, 12% efetivamente perderam dinheiro através de abertura irregular de contas bancárias e contratação não autorizada de empréstimos. Mais preocupante ainda: 68% desse grupo etário admite não possuir conhecimento suficiente para se defender no ambiente digital.

Deepfakes e clonagem de voz ganham as ruas

A inteligência artificial revolucionou as táticas fraudulentas ao possibilitar simulações quase perfeitas da realidade. Tecnologias de clonagem de voz e manipulação de vídeos, antes restritas a laboratórios especializados, tornaram-se acessíveis para criminosos comuns. As investidas agora simulam ligações de instituições financeiras, mensagens de parentes próximos ou notificações de órgãos governamentais.

Essa evolução tecnológica praticamente eliminou os indicadores tradicionais de fraude, segundo profissionais de segurança digital. "A inteligência artificial não se limita a copiar voz ou imagem. Ela integra esses recursos com informações contextuais e comportamentais previamente coletadas sobre as vítimas", analisa Gui Zanoni, especialista em inteligência artificial.

O fenômeno transcende as fronteiras paulistas. O Serasa contabilizou crescimento de 15% nas fraudes digitais brasileiras em 2025, gerando prejuízos estimados em R$ 2,1 bilhões. A sofisticação proporcionada pela inteligência artificial figura como um dos principais catalisadores desse crescimento.

Detecção tradicional perde efetividade

Os métodos convencionais de identificação de golpes, baseados em falhas técnicas ou linguagem suspeita, mostram-se cada vez menos confiáveis. Criminosos empregam inteligência artificial para elaborar discursos convincentes, personalizados conforme o perfil da vítima e enriquecidos com dados pessoais extraídos de plataformas digitais.

Como distinguir fraudes autênticas no cotidiano? Profissionais da área orientam a verificação sistemática de informações através de canais oficiais antes de qualquer decisão. A suspeita deve persistir mesmo quando a comunicação demonstra aparente legitimidade.

O problema central reside na transferência quase completa da responsabilidade de verificação para o usuário final. Essa dinâmica representa um obstáculo particular para grupos vulneráveis, especialmente idosos, que frequentemente carecem de familiaridade com ferramentas tecnológicas de proteção.

Medidas institucionais permanecem insuficientes

A gravidade dos números contrasta com a limitação das respostas institucionais. O Banco Central introduziu restrições no PIX noturno e aprimorou sistemas de análise de risco, mas especialistas avaliam as iniciativas como inadequadas diante da velocidade de evolução das fraudes com inteligência artificial.

"A situação exige uma estratégia mais abrangente, combinando educação digital, marco regulatório apropriado e desenvolvimento de tecnologias defensivas", argumenta Maria Santos, pesquisadora do Instituto de Tecnologia e Sociedade.

Analistas do setor identificam a necessidade de articulação entre bancos, reguladores e empresas tecnológicas. A dispersão das ações atuais compromete uma resposta coordenada ao crescimento exponencial dos crimes digitais baseados em inteligência artificial.

Cenário futuro exige coordenação ampla

A implementação de soluções eficazes contra fraudes digitais com inteligência artificial enfrenta barreiras técnicas e regulatórias significativas. Enquanto as ferramentas para perpetrar crimes avançam rapidamente, os sistemas de detecção e prevenção permanecem em desenvolvimento. As projeções para 2026 sugerem continuidade do crescimento, intensificado pela democratização das tecnologias de inteligência artificial generativa. A contenção do problema dependerá da capacidade de integração entre diferentes setores e da agilidade na implementação de medidas educativas e defensivas.

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