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Falece aos 79 anos Francisco Lopes, ex-presidente do Banco Central

Rodrigo Vasconcelos09 de maio de 2026 · 10:41
Falece aos 79 anos Francisco Lopes, ex-presidente do Banco Central

Francisco Lafaiete de Pádua Lopes morreu na quinta-feira (7) aos 79 anos no Rio de Janeiro. O economista, que presidiu interinamente o Banco Central, estava hospitalizado no Pró-Cardíaco, em Botafogo. A família confirmou o falecimento nesta sexta-feira (8).

Formação e início da carreira

Graduado pela UFRJ, Francisco Lopes concluiu mestrado na FGV e doutorado em Harvard. O economista atuou como professor na PUC-Rio e na UnB. Fundou a consultoria Macrométrica e integrou o Ministério da Fazenda em 1987.

Entre 1995 e 1998, ocupou a diretoria do Banco Central. Nos meses de janeiro e fevereiro de 1999, assumiu a presidência interina da instituição durante o governo FHC. O período foi marcado pela grave crise cambial que forçou o país ao abandono do câmbio administrado.

"É com profundo pesar que comunicamos o falecimento de Chico Lopes, economista de trajetória marcante", declarou a família. O comunicado ressaltou sua "contribuição importante para o desenvolvimento do país".

O Copom como principal herança

A criação do Comitê de Política Monetária representa o maior legado de Francisco Lopes. O órgão define a taxa Selic e introduziu "previsibilidade, transparência e rigor técnico" nas decisões monetárias, conforme reconhece o Banco Central.

O economista esteve presente nos debates dos planos Cruzado e Bresser contra a inflação. Sua participação foi decisiva na estabilização do Real durante os primeiros anos da nova moeda.

"Acredito que a criação do Copom foi fundamental para a consolidação do Real", afirmou o economista em depoimento ao BC. Defendia que as reuniões fossem gravadas para criar "um ritual" na definição dos juros.

Controvérsia dos bancos Marka e FonteCidam

Durante sua gestão no Banco Central, Francisco Lopes enfrentou a polêmica operação de socorro aos bancos Marka e FonteCidam. As instituições passavam por dificuldades devido às variações cambiais. A tentativa de salvamento resultou em prejuízos ao BC.

O economista defendeu a legalidade das medidas adotadas. Buscava evitar uma crise sistêmica no setor financeiro. O episódio posteriormente se tornou objeto de investigação na CPI do Sistema Financeiro.

Especialistas avaliam que a mudança para o câmbio flutuante durante sua gestão marcou a história econômica recente. Mas qual foi o verdadeiro alcance dessa transformação para a estabilidade monetária brasileira?

Despedida e reconhecimento institucional

O Banco Central divulgou nota oficial lamentando a morte de Francisco Lopes. A instituição destacou que o economista "dedicou décadas de sua vida intelectual ao enfrentamento" da inflação crônica dos anos 1980 e 1990.

Em 2019, o BC publicou entrevista autobiográfica detalhando sua trajetória. O documento registra momentos fundamentais de sua atuação na política econômica nacional.

O velório acontecerá neste sábado (9) às 13h no Cemitério do Caju. A cremação está prevista para as 16h. Francisco Lopes deixa a esposa Ciça Pugliese, três filhos e sete netos. O casal permaneceu casado por mais de quatro décadas.

A partida do economista representa o encerramento de um capítulo na construção institucional monetária brasileira. As estruturas que ajudou a edificar, especialmente o Copom, mantêm-se como pilares da política monetária nacional, demonstrando a durabilidade de suas contribuições técnicas para o sistema financeiro do país.

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