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Francisco Lopes, ex-presidente do Banco Central e criador do Copom, morre aos 78 anos

Rodrigo Vasconcelos09 de maio de 2026 · 11:31
Francisco Lopes, ex-presidente do Banco Central e criador do Copom, morre aos 78 anos

Francisco Lopes, ex-presidente do Banco Central e criador do Copom, morre aos 78 anos

O economista Francisco Lafaiete de Pádua Lopes morreu na quinta-feira (7), aos 78 anos, no Rio de Janeiro. Francisco Lopes estava internado no Hospital Pró-Cardíaco, em Botafogo. A família confirmou o falecimento na sexta-feira (8) por meio de comunicado.

Formação e início da carreira acadêmica

Conhecido como Chico Lopes, o economista se formou pela UFRJ. Posteriormente, obteve mestrado pela FGV e doutorado por Harvard. Lecionou na PUC-Rio e na Universidade de Brasília. Também fundou a consultoria Macrométrica.

Sua passagem pelo Ministério da Fazenda ocorreu em 1987. Os anos seguintes no Banco Central marcaram sua contribuição mais significativa à economia nacional.

Passagem pelo Banco Central durante crise cambial

Entre 1995 e 1998, Francisco Lopes ocupou a diretoria do Banco Central. Em janeiro de 1999, assumiu interinamente a presidência da instituição. O período coincidiu com grave crise cambial no governo Fernando Henrique Cardoso.

O economista comandou a transição do câmbio administrado para o regime flutuante. Essa mudança estrutural permanece em vigor até os dias atuais. "Francisco Lopes dedicou décadas de sua vida intelectual ao enfrentamento do maior desafio macroeconômico de seu tempo: a inflação crônica brasileira", informou o Banco Central em nota.

Criação do Copom revoluciona política monetária

A principal herança de Francisco Lopes foi estabelecer o Comitê de Política Monetária (Copom). O órgão define a taxa Selic e trouxe transparência às decisões sobre juros. "Acredito que a criação do Copom foi fundamental para a consolidação do Real", costumava dizer o economista.

As reuniões periódicas gravadas seguem o modelo por ele idealizado. O ritual de transparência que Francisco Lopes defendia virou padrão internacional. Bancos centrais mundo afora adotaram mecanismos similares.

Controvérsias e episódio Marka-FonteCidam

Sua gestão enfrentou polêmicas significativas. A operação para salvar os bancos Marka e FonteCidam gerou prejuízos ao Banco Central. O episódio virou tema de CPI e marcou negativamente sua presidência.

Francisco Lopes defendeu as medidas como necessárias para evitar crise sistêmica. Argumentava que os riscos de não intervir superavam os custos da operação.

Participação nos planos antiinflacionários

O economista participou ativamente dos debates sobre os planos Cruzado e Bresser. Sua atuação foi decisiva na consolidação do Plano Real. A iniciativa finalmente controlou a hiperinflação dos anos 1980 e 1990.

Como seria hoje a política monetária brasileira sem os instrumentos criados por Francisco Lopes? O Copom realiza reuniões seguindo protocolos por ele estabelecidos. Sua contribuição transcendeu o período em que esteve no cargo.

Registro histórico e documentação

Em 2019, o Banco Central publicou depoimento autobiográfico do economista. O material registra sua trajetória pessoal e profissional. O documento preserva décadas de contribuição ao pensamento econômico nacional.

Cerimônia de despedida

O velório acontecerá neste sábado (9) no Cemitério do Caju. A cerimônia começará às 13h. A cremação está marcada para as 16h.

Francisco Lopes deixa a esposa Ciça Pugliese, com quem foi casado por mais de 40 anos. O casal teve três filhos e sete netos.

A morte de Francisco Lopes encerra a trajetória de um dos principais arquitetos da estabilidade monetária brasileira. Seus instrumentos de política econômica permanecem como pilares do sistema financeiro nacional. A durabilidade de suas contribuições técnicas será continuamente testada pelos desafios macroeconômicos que o país ainda enfrentará.

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