Celina Leão anuncia Elie Issa El Chidiac para presidir CEB em reestruturação energética

A vice-governadora Celina Leão confirmou esta semana o nome de Elie Issa El Chidiac para assumir a presidência da Companhia Energética de Brasília (CEB). O engenheiro com trajetória no setor elétrico substitui Edison Garcia na direção da estatal que distribui energia para mais de 1,1 milhão de consumidores no Distrito Federal.
O anúncio de Celina Leão integra estratégia mais ampla de reorganização do governo distrital. A CEB registrou faturamento operacional líquido de R$ 3,2 bilhões em 2023, conforme dados oficiais da companhia. No ranking nacional da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), o DF ocupa o quinto lugar entre as tarifas mais caras do país.
Investimentos em infraestrutura
A transição no comando ocorre após dois anos de aplicações significativas em modernização. A CEB destinou cerca de R$ 400 milhões para atualização da rede elétrica e ampliação do sistema de iluminação pública. Entre as melhorias implementadas está a substituição de lâmpadas tradicionais por tecnologia LED nos principais corredores da capital.
Durante cerimônia no Palácio do Buriti, Celina Leão justificou a escolha pelo perfil técnico do novo presidente. "A escolha do novo presidente prioriza o perfil técnico e a experiência em gestão de infraestrutura energética", afirmou a vice-governadora. Ela ressaltou também a importância de acelerar projetos em desenvolvimento desde 2022.
A gestão anterior concluiu obras estruturais importantes, como a expansão da subestação de Samambaia. Além disso, 40% dos medidores residenciais passaram por processo de digitalização. Esses projetos consumiram investimentos de R$ 180 milhões e alcançaram aproximadamente 300 mil consumidores.
Cenário operacional complexo
Analistas do setor energético identificam obstáculos consideráveis para a nova administração da CEB. João Silva, consultor da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica, destaca as dificuldades. "A empresa precisa equilibrar investimentos em infraestrutura com a manutenção de tarifas competitivas, em um cenário de alta complexidade regulatória", observa o especialista.
Os números operacionais da companhia apresentam resultados contraditórios. Em 2023, o Distrito Federal conseguiu diminuir em 8% os índices de interrupção de fornecimento comparado ao período anterior. Contudo, a CEB mantém pendências regulatórias com a ANEEL sobre qualidade do serviço em determinadas regiões administrativas.
Planejamento energético futuro
O sucessor de Garcia assume uma empresa financeiramente equilibrada, mas sob pressão por atualizações tecnológicas. O plano diretor energético distrital estabelece meta de R$ 800 milhões em investimentos até 2026. Os recursos serão aplicados em smart grid e fontes renováveis de energia.
A estratégia prevê redução das perdas técnicas da rede de 9,2% para 7% no período estabelecido. Como essas mudanças administrativas na CEB impactarão efetivamente a qualidade dos serviços para os brasilienses? A resposta dependerá da habilidade da nova direção para executar projetos aprovados e obter recursos extras para expansão.
A Novacap, responsável pelas obras de infraestrutura urbana do DF, deve colaborar com a CEB em projetos de iluminação inteligente. Especialistas consideram essa parceria entre estatais essencial para maximizar a aplicação de recursos públicos em contexto de limitações orçamentárias.
Panorama tarifário e regulatório
A nomeação de Chidiac acontece depois de fase de estabilização nos valores cobrados no DF. Em abril de 2023, a última revisão da ANEEL preservou as tarifas sem alterações expressivas para usuários residenciais. A medida favoreceu famílias de menor renda, que correspondem a 35% dos clientes da CEB através de programas sociais energéticos.
Segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico, o Distrito Federal responde por 4,2% do consumo energético do Centro-Oeste. A demanda aumenta aproximadamente 3,5% anualmente, resultado da expansão urbana e instalação de novos projetos comerciais e habitacionais.
A mudança na presidência da CEB surge como chance de fortalecer progressos técnicos já em curso e resolver limitações estruturais persistentes no setor energético regional. A performance da nova gestão será avaliada nos próximos meses através de indicadores de qualidade do atendimento e execução das metas de investimento definidas pelo órgão regulador nacional.


