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FMI reduz expectativa mundial para 3,1%, mas eleva Brasil para 1,9% em 2026

Rodrigo Vasconcelos23 de abril de 2026 · 18:31
FMI reduz expectativa mundial para 3,1%, mas eleva Brasil para 1,9% em 2026

FMI reduz expectativa mundial para 3,1%, mas eleva Brasil para 1,9% em 2026

O Fundo Monetário Internacional (FMI) revisou nesta segunda-feira suas estimativas econômicas globais. A instituição cortou a previsão de crescimento mundial para 3,1% em 2026. O percentual anterior era de 3,3%. A mudança reflete os efeitos do conflito no Oriente Médio sobre os mercados globais.

O Brasil, contudo, teve sua projeção elevada de 1,6% para 1,9% no mesmo período. O relatório Perspectiva Econômica Mundial coloca o país entre as poucas nações com revisão positiva. O FMI destaca a posição brasileira como exportador de energia e commodities.

Conflito no Oriente Médio pressiona cenário global

A guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã representa maior ameaça à economia mundial que choques comerciais anteriores. Pierre-Olivier Gourinchas, economista-chefe do FMI, alertou sobre os riscos de escalada no Golfo Pérsico. Os efeitos podem superar previsões iniciais.

O cenário base do FMI projeta petróleo a US$ 82 por barril em 2026. Numa hipótese adversa, com cotações acima de US$ 100 até 2027, o mundo se aproximaria de recessão técnica. No pior cenário, com preços chegando a US$ 125 em 2027, a inflação global ultrapassaria 6%.

Isso demandaria novos apertos monetários dos bancos centrais. O resultado seria maior comprometimento do crescimento econômico mundial.

Posição energética favorece economia brasileira

A melhoria na projeção brasileira se vincula diretamente à condição do país como exportador líquido de energia. "O Brasil tende a ser menos afetado que economias da Ásia, Europa e África", aponta o relatório do FMI.

As receitas de exportação de petróleo e bens primários devem compensar parcialmente os efeitos da desaceleração global. Reservas internacionais elevadas e câmbio flutuante também protegem o país contra choques externos.

Segundo análise do Observatório DF, centro de estudos econômicos, o Brasil possui características estruturais protetivas. Essas características funcionam especialmente bem em cenários de turbulência geopolítica com alta nos preços energéticos.

Expansão brasileira permanece em patamar moderado

Mesmo com a revisão positiva, o crescimento brasileiro continua moderado comparado a outras economias emergentes. Para 2027, o FMI projeta expansão de 2%, abaixo da estimativa anterior. A desaceleração global influencia essa redução.

Custos mais elevados de insumos e condições financeiras restritivas devem limitar o ritmo de expansão. A questão que se coloca é se o país manterá esse desempenho relativamente superior caso o conflito se prolongue.

Entre as principais economias, os Estados Unidos devem crescer 2,3% em 2026. A zona do euro enfrenta cenário mais desafiador, com crescimento de apenas 1,1%. A China deve ter expansão de 4,4%, enquanto o Japão mantém crescimento modesto de 0,7%.

Fragilidade global aumenta diante de choques geopolíticos

O FMI enfatiza que as projeções consideram cenário relativamente controlado para o conflito. Caso ocorra escalada mais intensa ou interrupções prolongadas no fornecimento energético, os efeitos podem ser significativamente mais severos.

A economia global entra em período de maior vulnerabilidade. A sensibilidade a choques geopolíticos se intensifica. O desempenho melhor do Brasil surge como alívio pontual, mas permanece dependente de fatores externos voláteis.

Especialistas em política monetária alertam sobre a combinação de pressões inflacionárias e desaceleração. Esse cenário cria dilemas complexos para bancos centrais. O equilíbrio entre combater inflação e sustentar crescimento se torna mais desafiador.

A capacidade brasileira de se beneficiar da crise energética será testada nos próximos trimestres. Os dados trimestrais do PIB mostrarão se as projeções do FMI se concretizam. O resultado dependerá tanto de fatores domésticos quanto da evolução do conflito no Oriente Médio e seus impactos sobre os mercados globais de energia.

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