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Banco Central define Selic em cenário de alta inflacionária impulsionada por conflito internacional

Rodrigo Vasconcelos04 de maio de 2026 · 20:06
Banco Central define Selic em cenário de alta inflacionária impulsionada por conflito internacional

Banco Central define Selic em cenário de alta inflacionária impulsionada por conflito internacional

O Copom se reúne nesta quarta-feira (29) para a terceira reunião de 2026 visando estabelecer o novo patamar da Selic. O encontro acontece com a inflação acumulada em 12 meses alcançando 4,37%, influenciada diretamente pela escalada do conflito no Oriente Médio que tem elevado os preços dos combustíveis.

Atualmente fixada em 14,75% ao ano, a Selic registrou queda após manter-se em 15% — maior nível em quase vinte anos — no período de junho de 2025 até março passado. O relatório Focus indica expectativa de mercado para redução adicional de 0,25 ponto percentual, direcionando a taxa básica para 14,5%.

Guerra pressiona índices de preços

O IPCA-15 apresentou variação de 0,89% em abril, com combustíveis e alimentos liderando as altas. Os números evidenciam aceleração frente aos 3,9% registrados em março, ultrapassando o limite máximo da meta inflacionária de 4,5%.

As projeções para 2026 foram ajustadas para 4,86% no Focus mais recente, consequência da extensão do conflito bélico no Oriente Médio. Esta revisão posiciona a inflação esperada além do teto superior estabelecido pelo sistema de meta contínua do Conselho Monetário Nacional.

Ausências marcam reunião do colegiado

A sessão desta semana ocorrerá com composição reduzida devido a três ausências no Copom. Renato Gomes e Paulo Pichetti tiveram mandatos encerrados em dezembro de 2025, enquanto o governo Lula não encaminhou os nomes dos sucessores ao Legislativo. Rodrigo Teixeira também não participará por questões familiares.

A ata do encontro anterior registrou abandono da sinalização de novos cortes futuros nos juros. O documento estabeleceu que "magnitude e ciclo de calibração" da Selic dependerão de informações econômicas adicionais que sejam integradas às avaliações posteriores.

Meta contínua substitui modelo anterior

Desde janeiro de 2025 funciona o regime de meta contínua, definindo objetivo inflacionário de 3% com margem de 1,5 ponto percentual. O modelo atual prevê verificação mensal considerando inflação acumulada em doze meses, abandonando a análise restrita ao período janeiro-dezembro.

Em abril de 2026, por exemplo, examina-se a inflação desde maio de 2025 comparada à meta. Em maio, repete-se o procedimento baseado em junho de 2025, estabelecendo monitoramento contínuo que avança temporalmente.

Perspectivas econômicas em revisão

O Banco Central atualizou recentemente a estimativa para o IPCA em 2026 de 3,5% para 3,6%. A instituição reconhece necessidade de nova calibragem caso o conflito no Oriente Médio se estenda por período prolongado.

A decisão sobre a Selic será divulgada no início da noite desta quarta-feira. Analistas questionam a capacidade do BC de conciliar controle inflacionário com pressões externas sem prejudicar o crescimento econômico nacional.

Segundo especialistas do setor, qual seria o equilíbrio ideal entre política monetária restritiva e preservação da atividade econômica?

A gestão da política monetária em ambiente de choques externos permanece como questão central para a autoridade monetária. O desafio consiste em ajustar instrumentos considerando tanto dinâmicas domésticas quanto instabilidades internacionais que escapam ao controle direto das políticas nacionais, exigindo calibragem precisa entre objetivos conflitantes de estabilidade de preços e sustentação do crescimento.

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